Os curtumes frente ao desmatamento
Em um comunicado publicado em fins de julho/22, o Conselho Internacional de Curtidores (ICT, pela sigla em inglês) reiterou mais uma vez que está profundamente preocupado com os projetos reguladores destinados a eliminar das cadeias provedoras os produtos vinculados ao desmatamento.
Posicionamento do ICT
“O ICT apoia totalmente as ações para reduzir o desmatamento em regiões florestais vulneráveis do mundo e reconhece a necessidade de maior transparência e rastreabilidade nas cadeias de suprimentos para facilitar tais ações, afirma a entidade. No entanto, tais ações devem ser direcionadas para os segmentos da cadeia produtiva que impulsionam o desmatamento, e não a setores associados que não têm influência sobre ele”, como o setor de curtumes. “O couro não impulsiona a criação de gado, e a produção de couro é tudo menos incidental”, acrescenta.
“Como clientes da indústria da carne, os produtores de couro não têm influência nos estágios iniciais da cadeia de suprimentos e não estão envolvidos no fornecimento e rastreamento de gado”, afirma o comunicado. As peles têm pouca importância na cadeia de valor da carne, representando em média 1% do valor do animal e as peles que chegam aos curtumes, muitas vezes chegam sem informações de rastreabilidade, pois as etiquetas e outros instrumentos de identificação foram perdidos no frigorífico.
“A cadeia de custódia e os requisitos legais para fornecer informações à jusante aplicam-se apenas à cadeia alimentar; couros e peles não estão normalmente sujeitos a estes requisitos. Como tal, pode ser impossível para os fabricantes de couro obter informações para atender aos requisitos da legislação proposta.”
“Como tal, a ICT acredita firmemente que o couro deve ser excluído do escopo das regulamentações propostas. Um regulamento que elimine o desmatamento das cadeias de fornecimento da carne irá, por associação, removê-lo das cadeias de fornecimento de couro sem a necessidade de regulamentação específica para este.”
Os curtidores afirmam que a indústria global de couro não está negando seu lugar na cadeia de valor da pecuária, ou que há potencial para certas cadeias de fornecimento incluírem couros provenientes de áreas com risco de desmatamento. Mas essa “produção de couro não gera desmatamento e não deve ser regulamentada como tal”.
Fonte: ICT/ CueroAmérica
Posicionamento da COTANCE
A Federação das Associações de Curtidores Europeus, COTANCE, novamente rejeitou publicações absurdas que acusam essa indústria de promover o desmatamento. A entidade esclareceu mais uma vez que a indústria de curtumes não tem nada a ver com criação e abate de animais. Estas têm o objetivo de comercializar a carne para consumo humano e as peles são um resíduo deixado por essa ação e que os curtumes, ao processá-las, solucionam um grave problema ambiental.
A publicação é um informe do Global Witness Report, cujos equívocos foram reproduzidos por um artigo do jornal britânico The Guardian, onde novamente descrevem a indústria do couro como impulsionadora do desmatamento.
Em seu comunicado a COTANCE, começa dizendo que “lamenta que todos os esforços desenvolvidos por governos e organizações internacionais para deter o desmatamento e a degradação florestal não tenham sido capazes de deter ou reduzir os danos incalculáveis que causam ao planeta”. Ao mesmo tempo, a entidade afirma que “a indústria coureira europeia rechaça as acusações de que a cadeia de valor do couro seja um motor do desmatamento apenas porque gera riqueza com a reciclagem de resíduos da indústria da carne”.
COTANCE argumenta que culpar os curtidores é um movimento infeliz que favorece apenas materiais plásticos derivados do petróleo e resíduos relacionados, enquanto um recurso natural renovável valioso e duradouro está sendo desperdiçado. “Este é um grande erro econômico e ambiental” – sustenta a entidade-. A indústria do couro orgulha-se de ser uma atividade de reciclagem, gerando riqueza e empregos ao transformar resíduos em um dos materiais mais versáteis, confortáveis e bonitos do mundo. O couro é um dos exemplos mais antigos da economia circular.
COTANCE finaliza apelando “às partes interessadas, públicas e privadas, para que reconheçam que as florestas do mundo não serão salvas com a interrupção do comércio de couro e que a reciclagem de couros ‘ilegais’ juntamente com couros ‘legais’ continua sendo uma solução ambientalmente saudável, sempre e quando não haja solução segura”, ou seja, uma forma de identificá-los.
Fonte: COTANCE / CueroAmérica







