O couro descobrindo cristais bidimensionais de grafeno
A inovação tecnológica aplicada ao couro (e mais além).

Depois de aplicações nos mais díspares setores – desde baterias de lítio, passando por tintas, até próteses articulares – a tecnologia dos cristais bidimensionais de grafeno também encontra espaço no mundo da moda. A última novidade fashion nasceu de uma parceria datada de setembro de 2024. De um lado está a BeDimensional, uma start-up detentora da patente. Do outro, a River Chimica Industriale (Ponte A Egola), especializada em química do curtimento, que detém o direito exclusivo de utilização no setor do couro e da moda. Especificamente, são nitrito de boro e grafeno (em camadas atômicas muito leves). Utilizados como aditivos, podem melhorar o desempenho dos materiais sobre os quais atuam. Por exemplo: maior estabilidade térmica ou resistência mecânica.
BeDimensional é uma start-up nascida como spin-off dos Laboratórios de Grafeno do Instituto Italiano de Tecnologia (IIT) de Gênova. Uma realidade que, entre as suas figuras parceiras, inclui a ENI (multinacional petrolífera italiana), a Cassa Depositi e Prestiti e o Grupo Ariston. Em outubro de 2024 foi inaugurada a nova unidade de produção genovesa, pouco depois de iniciar a colaboração com a River Chimica. “Acreditamos que esta inovação técnica possa representar uma inovação revolucionária para a indústria transformadora como um todo – afirma Vittorio Pellegrini, CEO da BeDimensional -. Oferece novas oportunidades para a criação de produtos com elevado conteúdo técnico.”
Em 2004, o primeiro cristal bidimensional de grafeno foi extraído. Um material superleve, a tal ponto que uma única folha de grafeno de tamanho suficiente para cobrir um campo de futebol pese menos de um grama. “A partir daí começamos a entender – explica Pellegrini – que as propriedades deste material eram excepcionais”. O que a BeDimensional faz é reproduzir esses cristais superfinos em escala industrial. O objetivo é integrá-los com outros materiais, a fim de melhorar o seu desempenho (sem alterar a sua aparência). “Esses aditivos são inovadores porque são invisíveis e a espessura é tão infinitesimal que não pesa nada. São biodegradáveis, biocompatíveis”, prossegue Pellegrini. Por exemplo, ao aplicar esses cristais, podem ser produzidos tecidos que dissipam calor ou conduzem eletricidade. “Temos colaborações com o mundo têxtil – conclui – como no caso da caxemira para isolamento térmico”. Ou pode-se imaginar o interior de um carro que não aquece sob o sol.
A utilização no couro
“Estamos experimentando diversas soluções relacionadas ao desempenho no couro – comenta Luca Ciampalini, diretor comercial da River Chimica -. A pesquisa está em fase de desenvolvimento tanto na aplicação em fulão, quanto no acabamento.” O objetivo é transversal: vestuário, calçados, mobiliário e automotivo. “Já existem resultados interessantes – explica -. Por um lado, sobre resistência mecânica. Por exemplo, calçado com resistência ao rasgamento. Mas também desempenho térmico, como dissipação de calor, para desenvolver produtos que proporcionem maior conforto.”
Fonte: La Conceria (www.laconceria.it)
Traduzido por ABQTIC