Entre mobiliário e escultura, o couro como valor que transcende o design
Durante a última edição do Salone del Mobile (21 a 26 de abril, Milão), o couro pareceu ser apenas um material entre muitos: aço, madeira, vidro, cerâmica, fibras hi-tech.
No entanto, ao observar atentamente um sofá, uma cama, um objeto, ficou imediatamente claro que ele estava ali para mudar toda a interpretação do projeto. A Design Week mostrou como, entre linhas suaves e arquitetura escultural, o couro continua a definir presença e identidade. Um material capaz de orientar o vislumbre. Na nova edição da revista mensal La Conceria, no artigo “Questão de Caráter“, analisamos o tema em profundidade, explorando o couro como um valor que transcende o design, como um elemento capaz de alterar o próprio significado dos objetos.
Em meio à profusão de materiais entre os estandes do Salone, o couro foi o ponto de encontro entre design e percepção. Não apenas uma variante de revestimento, mas um material capaz de enobrecer um modelo, tornando-o mais imponente, mais “acabado”. Isso também é demonstrado nas listas de preços, onde a versão em couro de um item é quase sempre a que apresenta o aumento de preço e status. Mas não se trata apenas de uma questão econômica. O couro é durável, higiênico, fácil de limpar e envelhece bem. Trata-se de um material que carrega consigo uma ideia de investimento, continuidade e cuidado. E, acima de tudo, cria personalidade: um sofá de couro domina o espaço, atrai outros elementos semelhantes e cria uma narrativa coerente.
Há também aqueles que levam o couro para outro lugar, como Talia Luvaton, que no SaloneSatellite surpreendeu os visitantes com vasos que pareciam de cerâmica, mas que, na verdade, cheiravam a couro. Suas formas, modeladas com técnicas de wet forming e couro curtido vegetal, desafiam a imaginação. Deixa de ser um acessório ou revestimento e se torna uma escultura. Em sua obra, Luvaton reivindica uma visão quase ritualística da matéria, uma visão feita de lentidão, precisão e respeito. Uma forma de restituir ao couro aquela singularidade que a moda, ao torná-lo onipresente, diluiu parcialmente. É um gesto cultural, antes mesmo de ser estético, e nós o detalhamos, juntamente com outras trajetórias que hoje estão redefinindo o significado da matéria.
Fonte: La Conceria (www.laconceria.it) Tradução: ABQTIC







