Couro e calçado do Brasil: abril marca uma recuperação inesperada

O mês de abril encerra um período negativo das exportações brasileiras de couro e calçados.

Estatísticas divulgadas pela Secretaria do Ministério do Comércio Exterior (Secex) e compiladas por associações de referência indicam uma recuperação das exportações em ambos os setores. No caso do calçado, muito é relativo às tarifas americanas, que passaram de 50% para 10%. No setor do couro, todos os quatro principais mercados (China, EUA, Itália e Vietnã) reduziram suas compras do Brasil nestes primeiros quatro meses. Por outro lado, mercados emergentes como a Coreia cresceram.

Segundo dados coletados pela Associação Brasileira da Indústria Calçadista (Abicalçados), 8,2 milhões de pares de sapatos foram comercializados em abril, totalizando US$ 73,5 milhões. Isso representa um aumento de 9% no volume e uma diminuição de 7,3% no valor em comparação com abril de 2025. Nos dados acumulados dos primeiros quatro meses do ano, as exportações totalizaram 34,5 milhões de pares e 284,44 milhões de dólares, com quedas de 11,7% e 18,5%, respectivamente, em comparação com o mesmo período de 2025. Segundo o presidente da Abicalçados, Haroldo Ferreira: “O crescimento das remessas para os Estados Unidos indica, além da recuperação, uma antecipação de remessas para esse destino após a redução das tarifas, visto que a alíquota adicional de 50% não está mais em vigor e o calçado brasileiro passou a competir com uma taxa de 10%”. Abril apenas atenuou os dados negativos dos primeiros três meses de 2026, caracterizados pelo choque tarifário dos EUA.

Os resultados da indústria brasileira de curtumes seguem a mesma linha. Dados compilados pelo CICB – Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil mostram que as exportações brasileiras de couro registraram um faturamento de US$ 94,3 milhões em abril de 2026. Em comparação com abril de 2025, houve um ligeiro aumento de 0,6%. Em termos de volume, as vendas de 16 milhões de metros quadrados e 55,8 mil toneladas representam um aumento de 7% em área e de 17,1% em peso na comparação com abril de 2025. No entanto, se analisarmos os primeiros quatro meses de 2026, as exportações foram de 361,3 milhões de dólares (-7,9% em comparação com o mesmo período de 2025), com uma redução de 3,7% em metros quadrados e um aumento de 2,2% no peso. Vale ressaltar que, novamente nos primeiros quatro meses, as exportações para a Itália diminuíram 26,9% em valor (37,3 milhões de dólares) e também houve quedas significativas na superfície (-23,9%) e no peso (-17%). O mercado mais dinâmico para o couro brasileiro é a Coreia do Sul, que quase dobrou suas importações do Brasil em valor (+90,4%), acompanhadas por um crescimento de 91,9% em área e de 162,1% no peso.

Fonte: La Conceria (www.laconceria.it)

Tradução: ABQTIC

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